O produtor rural e vereador Zé Lopes falou sobre a realidade de quem depende das estradas vicinais para viver, produzir e escoar a produção
No Acre, falar de desenvolvimento sem discutir ramais, pontes e trafegabilidade é ignorar uma das principais engrenagens da economia e da vida social do estado. Em entrevista recente, Zé Lopes trouxe ao centro do debate uma pauta que impacta diretamente o Juruá, e todas as regiões do estado: a precariedade dos ramais e seus reflexos na economia e na qualidade de vida da população.
Zé Lopes falou da rotina e das dificuldades enfrentadas pelas milhares de famílias que dependem dos ramais para trabalhar, estudar, acessar saúde e garantir renda.
“Ramal não é favor, é necessidade básica. Sem estrada em condição mínima, o produtor perde produção, o aluno falta aula e o doente não chega ao hospital”, afirmou Zé Lopes.
Ramal ruim trava a economia do Acre
A realidade dos ramais acreanos é marcada por atoleiros no inverno, pontes de madeira deterioradas, ausência de drenagem e manutenção irregular. O resultado é um ciclo de perdas que se repete ano após ano.
Quando um ramal fica intrafegável, a produção não chega à cidade, afeta desde os pequenos produtores até as agroindústrias. Para quem vive na cidade, o problema também é preocupante, já que os custos do frete e logística aumentam e encarecem o alimento na mesa do acreano; A educação e a saúde também são prejudicadas: os alunos deixam de frequentar a escolas; idosos, cadeirantes, gestantes enfrentam riscos para chegar a unidades de saúde. “Em muitos casos, vizinhos carregam doentes em redes, carrocerias. Em um Estado em que tanto se fala da importância da produção rural, prometeram produção e entregaram shows, eventos com custos milionários.” Criticou Zé Lopes.
No Vale do Juruá, onde a distância entre comunidades e centros urbanos é maior, a situação se agrava. A dependência de ramais, pontes e da Br 364 é total! Qualquer interrupção e lentidão impactam diretamente os indicadores sociais e econômicos da região.
“Uma ponte ou trecho da estrada que cai isola comunidades e a população inteira. Não é só o produtor que perde”, reforçou.
A substituição por pontes de concreto ou estruturas mais duráveis, segundo Zé Lopes, também precisa deixar de ser pontual e se tornar política pública permanente, planejada e com cronogramas claros.
Outro aspecto muitas vezes ignorado: a relação direta entre infraestrutura rural e os números oficiais do Acre. Sem ramais em boas condições:
•O PIB agropecuário perde competitividade;
•A arrecadação diminui;
•Programas de incentivo à produção perdem eficácia;
•O êxodo rural se intensifica, gerando crescimento desordenado nas cidades.
“Não adianta falar em crescimento econômico se o produtor não consegue sair de casa. Se o filho do produtor não consegue estudar, ter acesso as mesmas oportunidades que o filho de quem vive na cidade!”, pontuou.
Experiência pessoal virou compromisso político
A defesa da pauta não é apenas técnica, mas pessoal. Como alguém que vive desde cedo essa realidade, Zé Lopes afirma que o tema precisa ser tratado como prioridade estratégica, não apenas como ação emergencial.
Para ele, investir em ramais, pontes e na manutenção das nossas estradas, significa garantir dignidade, fortalecer a economia local e reduzir desigualdades históricas entre a cidade e a zona rural.
“O Acre não consegue avançar se a produção rural ficar para trás.” concluiu Zé Lopes.
Fonte: https://juruacomunicacao.com.br/isolamento-x-desenvolvimento-ze-lopes-volta-a-cobrar-prioridade-para-ramais-e-pontes-no-acre/
