A intensificação do processo erosivo às margens do Rio Acre levou o governo do Acre a interditar, nesta quarta-feira (10), uma área de calçadas no entorno do Novo Mercado Velho, em Rio Branco. O trecho atingido integra a região que vinha passando por obras de recuperação e revitalização, consideradas estratégicas para a preservação de um dos principais cartões-postais da capital acreana.
A interdição ocorre menos de dois meses após o governo do Estado anunciar o início da segunda etapa da urbanização do calçadão do Mercado Velho e em meio a uma série de intervenções executadas desde 2025 para conter o avanço da erosão na margem do rio.
Segundo informações apuradas no local, a medida foi adotada após o agravamento das fissuras e do processo de desgaste do solo na área próxima ao calçadão, gerando preocupação quanto à segurança de comerciantes, turistas e frequentadores do complexo histórico.
Área já era alvo de obra milionária
A região afetada integra um amplo projeto de recuperação da orla e reforço estrutural da Passarela Joaquim Macedo. Em 27 de novembro de 2024, o Deracre assinou o Contrato nº 096/2024 com a empresa PROCEC Engenharia S.A. para execução dos serviços de engenharia.
O contrato, no valor de R$ 18.345.791,17, prevê a execução de obras de reabilitação e reforço estrutural da Passarela Joaquim Macedo, além da estabilização e recuperação da orla do Mercado Velho, justamente com o objetivo de conter processos erosivos e garantir a segurança da área.
As intervenções passaram a ganhar maior urgência após o surgimento de movimentações de solo e desmoronamentos parciais na margem do Rio Acre, situação que levou o governo estadual a ampliar as ações de contenção ao longo de 2025.
Patrimônio histórico sob ameaça
O episódio reacende o debate sobre a vulnerabilidade do Novo Mercado Velho, que completou 96 anos em junho de 2025. Considerado um dos principais patrimônios históricos, culturais e turísticos do Acre, o espaço já vinha sendo alvo de preocupações de comerciantes e frequentadores diante do avanço da erosão.
Em julho de 2025, o Deracre ampliou as obras de contenção na área, incluindo a implantação de estruturas de proteção na margem do rio para evitar novos desmoronamentos. Já em abril deste ano, a governadora Mailza Assis assinou ordem de serviço para a segunda etapa da urbanização do calçadão, com investimento superior a R$ 748 mil.
Apesar das intervenções, o aparecimento de novos pontos de erosão e a necessidade de interditar parte da área revitalizada levantam questionamentos sobre a evolução das condições geotécnicas da margem do Rio Acre e a efetividade das medidas adotadas até o momento.
Cobranças por esclarecimentos
Mais cedo, nesta quarta-feira (10), na Câmara de Rio Branco, o vereador Zé Lopes (Republicanos) cobrou explicações públicas sobre as obras realizadas no Novo Mercado Velho. Durante a manifestação, o parlamentar questionou a execução dos serviços, os estudos técnicos realizados e as ações adotadas para garantir a estabilidade da área.
Com a nova interdição, a expectativa é de que o governo apresente um diagnóstico atualizado sobre as causas do agravamento da erosão, os riscos existentes e as providências que serão adotadas para evitar que o problema avance sobre outras áreas do complexo histórico.
