O vereador Zé Lopes (Republicanos) utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Rio Branco, nesta quarta-feira (1º), para criticar a inauguração da fábrica de leite de soja — conhecida como “vaca mecânica” — realizada pela Prefeitura da capital.
Durante o pronunciamento, o parlamentar questionou o investimento superior a R$ 20 milhões no projeto. Segundo ele, a iniciativa não seria prioridade para o município.
“O prefeito realizou o sonho de ter uma fábrica de leite de soja aqui na cidade. Mas não é algo essencial para a população. Apenas uma pequena parcela das crianças é intolerante à lactose. A maioria pode consumir leite de vaca, enquanto a bacia leiteira de Rio Branco está desamparada, sem conseguir vender sua produção e enfrentando dificuldades por conta dos ramais intrafegáveis”, afirmou.
Críticas à gestão e à aplicação de recursos
Zé Lopes também apontou que, enquanto grandes obras recebem investimentos milionários, serviços básicos estariam sendo prejudicados. Ele citou recursos aplicados no Mercado Elias Mansur, em viaduto e na própria fábrica de leite de soja.
“O bom gestor precisa estabelecer prioridades e garantir o básico para a população. Há bairros enfrentando falta de água ou água sem qualidade. Faltam medicamentos nas unidades básicas de saúde, como losartana e ibuprofeno. A população mais carente não pode ficar desassistida”, declarou.
O vereador argumentou que investimentos com recursos próprios devem priorizar áreas essenciais antes de avançar para projetos de maior porte.
Plano Diretor também é alvo de críticas
O parlamentar ainda demonstrou preocupação com o novo Plano Diretor de Rio Branco, atualmente em tramitação na Câmara Municipal. Segundo ele, o tema foi debatido recentemente em reunião no Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), com a participação de membros do Ministério Público.
De acordo com Zé Lopes, há alerta quanto a possíveis impactos do plano no aumento de enchentes e na elevação das temperaturas na cidade, além da falta de estudos técnicos mais aprofundados.
“O Plano Diretor precisa de ampla discussão e participação popular. Estamos falando de um planejamento para os próximos dez anos. É necessário que todos os vereadores se debrucem sobre o tema e participem das reuniões técnicas para garantir que o documento realmente melhore a qualidade de vida da população”, concluiu.
